sábado, 9 de julho de 2011

Memória brasileira: sigilo ou vergonha?


Escrito por Frei Betto
Correio da Cidadania - Junho de 2011


Há 141 anos terminou a Guerra do Paraguai. Durou de 1864 a 1870. Ao longo de seis anos, Brasil, Argentina e Uruguai, instigados pela Inglaterra, combateram os paraguaios. O pretexto era derrubar o ditador Solano López e impedir que o Paraguai, país independente e sem miséria, abrisse uma saída para o mar.

O Brasil enviou 150 mil homens para o campo de batalha. Desses, tombaram 50 mil. Do lado paraguaio foram mortos 300 mil, 20% da população do país. E o Brasil abocanhou 40% do território da nação vizinha.

Até hoje o acesso aos documentos do conflito está proibido a quem pretende investigá-los. Por quê? Talvez o sigilo imposto sirva para cobrir a vergonhosa atuação de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que comandou nossas tropas na guerra. E do Conde D’Eu, genro de Dom Pedro II, que sucedeu o duque no massacre aos paraguaios.


Os arquivos ultra-secretos do Brasil podem permanecer sigilosos por 30 anos. O presidente da República pode prorrogar o prazo por mais 30, indefinidamente. Eternamente.


Em 2009, Lula enviou à Câmara dos Deputados projeto propondo o sigilo eterno periodicamente renovado. Cedeu a pressões dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Os deputados federais o aprovaram com esta emenda: o presidente da República poderia renovar, por uma única vez, o prazo do sigilo, e os documentos considerados ultra-secretos seriam divulgados em, no máximo, 50 anos.

O projeto passou ao Senado. Caiu em mãos da Comissão de Relações Exteriores, cujo presidente é o senador Fernando Collor. E, para azar de quem torce por transparência na República, ele próprio assumiu a relatoria. E tratou de engavetá-lo. Não deu andamento ao debate nem colocou o projeto em votação.

A presidente Dilma decidira sancionar a lei do fim do sigilo eterno a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Naquela data, o relator Collor foi a plenário e declarou ser "temerário" aprovar o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.

Na véspera de ser empossada ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti declarou que Dilma estaria disposta a atender pedidos dos senadores José Sarney e Fernando Collor, e patrocinar no Senado mudança no decreto para assegurar sigilo eterno a documentos oficiais. A única diferença é que, agora, o sigilo seria renovado a cada 25 anos.

O Congresso está prestes a aprovar a Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. Como aprovar esta comissão e vetar para sempre o acesso a documentos oficiais? Isso significa impedir que a nação brasileira tome conhecimento de fatos importantes de sua história.

Collor e Sarney não gostam de transparência por razões óbvias. Seus governos foram desastrosos e vergonhosos. Já o Ministério das Relações Exteriores alega que trazer à tona documentos, como os da Guerra do Paraguai, pode criar constrangimentos com países vizinhos. Com países vizinhos ou com nossas Forças Armadas e personagens que figuram como heróis em nossos livros didáticos?

O sigilo brasileiro a documentos oficiais não tem similar no mundo. Se não for quebrado, a presidente Dilma ficará refém da chamada base aliada. Ontem foi o "diamante de 20 milhões de reais", hoje o sigilo eterno, amanhã...


Na terça, dia 14 de junho, retornaram ao Brasil os arquivos do livro "Brasil Nunca Mais" (Vozes), que relata os crimes da ditadura militar brasileira. A publicação, patrocinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, foi monitorada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright.


O mérito do "Brasil Nunca Mais" é que não há ali nenhuma notícia de jornal ou depoimento de vítima da ditadura. Toda a documentação se obteve em fontes oficiais, retirada, por advogados, de auditorias militares e do Superior Tribunal Militar. Microfilmada, foi remetida ao exterior, por razões de segurança. Agora retorna ao Brasil para ficar disponível aos interessados. Muitas informações ali contidas não constam da redação final do livro, da qual participei em parceria com Ricardo Kotscho.

Os arquivos da Polícia Civil (DOPS) sobre a ditadura militar já foram abertos e se encontram à disposição no Arquivo Nacional. Falta abrir o arquivo das Forças Armadas, o que depende da vontade política da presidente Dilma, ela também vítima da ditadura. As famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que ocorreu a seus entes queridos. E o Brasil, de conhecer melhor a sua história recente.

Um país sem memória corre sempre o risco de repetir, no futuro, o que houve de pior em sua história.

Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira" (Rocco), entre outros livros.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Quais são as notícias que podem ser temas de questões da prova do Enem 2011? Professores respondem


Agência O Globo - Por Leonardo Cazes


RIO - Você já deve estar até cansado de ouvir dos seus professores: no ano do vestibular, é preciso acompanhar o noticiário, seja em jornais, revistas, televisão ou internet. E eles estão certos. Segundo a professora de língua portuguesa do Liceu Franco-Brasileiro Teresa Cruz, o Enem é uma prova que exige do aluno bastante interpretação de textos, gráficos, tabelas e charges. Logo, quanto mais o estudante estiver por dentro do que está rolando no Brasil e no mundo, mais facilidade terá para identificar o que está sendo pedido em cada questão. Conversamos com professores e fizemos uma lista dos temas mais quentes do momento. Agora, é meter a cara e estudar!

CHUVAS NA SERRA: - As chuvas que castigaram a região serrana do Rio no verão podem aparecer no Enem. Segundo o professor de geografia Maurício Novaes, do CEL, a prova privilegia temas ligados à urbanização e ao meio ambiente. O impacto da ocupação desordenada de encostas e a erosão do solo estão ligados à tragédia.

COPA E OLIMPÍADAS: - Ninguém fala de outra coisa: qual será o legado da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016? O tema pode estar presente em diversas disciplinas. Na matemática, de acordo com o coordenador do pH Luís Felipe Abad, cálculos de geometria plana, como a área de um estádio, ou volume, para saber a quantidade de cimento a ser usada em uma obra, podem ser exigidos. Para Novaes, na geografia é possível tratar de investimentos em infraestrutura nas cidades-sede da Copa, crescimento do turismo e necessidade de qualificação de mão de obra para os eventos.

ACIDENTE NUCLEAR: - O terremoto no Japão e a consequente tragédia na usina de Fukushima comoveram o mundo e têm chance de cair no exame. Na parte de Ciências Naturais e suas Tecnologias, a abordagem deve envolver o que provocou o acidente e as medidas tomadas para minimizar a tragédia, assim como os efeitos da radiação e a contaminação da água e do solo. Até mesmo em história o assunto pode estar presente, principalmente relacionado à Segunda Guerra Mundial, durante a qual os Estados Unidos jogaram duas bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, e ao poder de recuperação japonês após os ataques.

MEIO AMBIENTE: - No ano que vem será realizada no Rio de Janeiro a conferência sobre o clima Rio 20. Nela, serão discutidas novas metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, entre outras medidas. Além disso, o Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados e em discussão no Senado, provoca polêmica com suas propostas de mudança na legislação para crimes ambientais, exploração em áreas de preservação permanente, entre outras. Os dois temas podem ser abordados nos âmbitos da química, da biologia e da geografia. Questões sobre energias limpas, combustíveis renováveis, créditos de carbono e também os ciclos da natureza podem aparecer.

MUNDO ÁRABE: - Este ano, o mundo viu explodirem diversas revoltas nos países árabes, no norte da África e no Oriente Médio. O professor de história Ulisses Martins, do Colégio Notre Dame Recreio, diz que esses eventos podem ser ponto de partida para a cobrança de conteúdos relacionados ao imperialismo, influência americana na região, regimes totalitários e até mesmo disputas ligadas à religião. O assassinato do líder da al-Qaeda Osama Bin Laden pelos EUA pode trazer também perguntas sobre terrorismo e as guerras do Iraque e do Afeganistão.

VULCÃO CHILENO: - Um vulcão no Chile provocou a maior confusão na América do Sul, com reflexos até na Austrália e na Nova Zelândia. Na química, questões relacionadas à composição do magma, os gases emitidos e os impactos disso no solo e nos sistemas hídricos podem cair. O vulcão também pode ser o gancho para falar de fenômenos naturais também na parte de Ciências Humanas e suas Tecnologias.

DITADURA MILITAR: - A eleição da presidente Dilma Rousseff, uma ex-militante de esquerda que viveu na clandestinidade e foi presa durante a ditadura militar, gerou grande expectativa, principalmente em relação à abertura de arquivos do período. Somado a isso, há grande mobilização pela aprovação do fim do sigilo secreto de documentos do governo e a criação de uma comissão da verdade para investigar os crimes ocorridos naquela época. Ou seja, assunto quente e atual.

ANO DA QUÍMICA: - Em 2011 são comemorados o Ano Internacional da Química, os 100 anos de Marie Curie, pioneira nas pesquisas sobre radioatividade, e também os 100 anos do modelo atômico de Rutherford. Olho vivo nesses temas.

CENSO 2010: - O Enem adora um gráfico e uma tabela. Com os dados do último censo divulgados no início do ano, é bem provável que haja questões ligadas à população, com uso desses recursos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Poema do Sarau: Povo Brasileiro

Povo Brasileiro - Roana Mello

Rosto de cansaço, por mais um dia de trabalho

O braço que é forte, da escravidão do dia a dia

Corpo definido, com o peso da responsabilidade

Mãos calejadas, trazendo o pão de mais um dia....

Suor que sustenta a família, suor que enriquece o patrão...

Nos olhos a tristeza de nenhum reconhecimento

Esforços que não lhe rendem nem meros elogios,

Esforços que engrandecem os grandes...

A todo momento há injustiça, sempre, a todo instante....

O trabalho e sua dignidade, essa tal coisa estranha que nunca vemos

Ganhamos apenas a indignação...

Somos as pessoas que ninguém vê, somos as pessoas que fazem ELES serem...

Nosso povo, Povo nosso

Gente sofrida e humilhada, lutadora e bem humorada.

Carrega consigo o seu honesto trabalho

Esperando da vida apenas o necessário.

Podem ser garis, faxineiras ou apenas domésticas

Todos com o seu valores, todos a sua maneira

Vivem do seu trabalho, vivem na canseira...

Canseira que sustenta seu lar, vida não muito boa, mas é a nossa vida brasileira....

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Justiça chilena aceita investigar circunstâncias da morte de Pablo Neruda


SANTIAGO - A Justiça chilena aceitou, nesta quinta-feira (2), investigar o falecimento do poeta Pablo Neruda, morto de câncer 12 dias depois do golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet, em 1973, mas que pode ter sido assassinado, segundo denúncia apresentada pelo Partido Comunista, informou o poder judicial. Pablo Neruda deixou registrada em sua obra uma mensagem universal, que lhe valeu, em 1971, o Prêmio Nobel de Literatura.

Nascido Neftali Reyes Basualto, em Parral, no sul do Chile, em 12 de julho de 1904, adotou o nome artístico Pablo Neruda antes dos 15 anos, ao criar seus primeiros versos de uma aventura literária que o consagrou como um dos principais poetas de língua espanhola. Autor de "Odas Elementales", "Estravagario" e "Confieso que he Vivido", seus versos inundaram múltiplas antologias e o levaram a conquistar o Prêmio Nobel, quando ocupava o cargo de embaixador do Chile na França.

Desde seus "20 Poemas de Amor" (1924) até a "Arte de Pajaros", a poesia de Neruda fala de temas eternos, como o cosmos, a água, o ar, as raízes históricas, os problemas sociais e os sonhos dos casais.

Ele já era uma jovem promessa literária em 1927, quando abandonou seus estudos de francês na Universidade do Chile, para percorrer o mundo. Passou por Argentina, Portugal, Espanha, França, Índia, Cingapura, Java e Birmânia, onde foi nomeado cônsul. Nessas viagens, conheceu sua primeira esposa, a holandesa Maria Antonieta Lagenaar, com quem teve sua única filha, Malva Marina, que morreu oito anos depois.

Após o fim do casamento, em 1935, Neruda conheceu em Madri a pintora argentina Delia del Carril, 20 anos mais velha que ele, durante os longos encontros literários com Federico Garcia Lorca, Rafael Alberti e outros intelectuais espanhóis. Seu casamento terminou, porém, em 1955, porque o poeta descobriu uma nova musa, a soprano chilena Matilde Urrutia. Com ela iniciou um romance tão clandestino quanto sua clandestinidade política na época, pois seu Partido Comunista havia sido
proscrito no Chile e Neruda foi destituído do cargo de senador em 1948.

Preso a um compromisso militante, em 1970 seu partido o proclamou candidato à presidência, mas desistiu da candidatura em favor de seu amigo e líder socialista Salvador Allende. A obra de Neruda também reflete este compromisso ("Canto General", "España en el Corazon"), atravessando as correntes do pós-modernismo ("Crepusculario"), e do surrealismo ("Residencia en la Tierra"), além do romantismo ("Versos del Capitan").

Pablo Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, aos 69 anos, 12 dias depois do suicídio do presidente Allende, durante o sangrento golpe do general Augusto Pinochet, que se instalou no poder até 1990. Em meio à violência desses dias, a casa do poeta em Santiago foi saqueada. Uma patrulha militar foi até sua casa na praia de Isla Negra, a 100 km a Oeste da capital chilena, com uma ordem de busca para procurar armas.

Reza a lenda que Neruda explicou aos soldados que sua única arma era a poesia. Depois, o poeta entrou numa profunda depressão. Segundo o livro de memórias de Matilde Urrutia, o artista jamais conseguiu se livrar da melancolia, desde o episódio. Matilde morreu em 1985 e descansa no jardim de Isla Negra, junto ao poeta e sua casa, transformada em museu e que conserva suas coleções de búzios, garrafas e carrancas de proa de barcos, diante das eternas ondas do Pacífico, que uma vez foram comparadas pelo poeta às teclas de um piano.

domingo, 5 de junho de 2011

Poesia da aluna Roberta Muknicka: o trabalho


Ao amanhecer, não
Adianta esbravejar,
Logo começa a caminhada
Para não se atrasar.
Mais um dia...
A ser contado,
Registrado ao bater do ponto.
Sem rodeios começa
Sua jornada de horas
Que nunca vê passar.
Seu trabalho
Repetitivo,
Nem mais nota o que faz.
A única coisa que
Nota é a falta
Que o dinheiro faz.

Roberta Natasha Galo Muknicka

Sarau Núcleo Laudelina de Campos Melo: o Trabalho


Aconteceu na última sexta feira, 03/06, o sarau do Núcleo Laudelina de Campos Melo, como atividade de encerramento do módulo proposto pela Comissão Pedagógica: Trabalho.

Houve leitura de textos, poesias, debates, apresentações musicais e confraternização ao final.

Parabéns a todos pelo empenho e compromisso com o qual realizaram mais essa bela ação em nosso núcleo.