segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A segunda década latinoamericana


Por Emir Sader


A primeira década do século XXI foi uma década latino-americana. Depois de ter sido vítima de ditaduras militares, da crise da dívida e de governos neoliberais, o continente mostrava, de novo, surpreendente capacidade de recuperação, gerando governos de resistência ao neoliberalismo, progressistas, como nunca na sua história.

São governos que agem no marco das transformações negativas das décadas anteriores, com a herança pesada que receberam: Estados enfraquecidos, sociedades fragmentadas, processos de desindustralização, renúncia à soberania, entre tantas outras.

De novo a América Latina mostrou imensa capacidade de recuperação, como tinha feito em momentos anteriores de sua história, diante de outras derrotas. Por isso chamo o continente de Nova Toupeira, no meu livro com esse nome. Desta vez foi a dura recuperação dos governos neoliberais, que devastaram o continente.

Foi necessário recompor a capacidade de indução do crescimento por parte dos Estados, resgatar direitos sociais, superar as recessões em que estavam nossas economias. Tudo em meio a uma herança muito negativa e a um contexto internacional desfavorável.

Ainda assim a America Latina protagonizou uma década memorável, em que começou a reverter seu triste recorde de ser o continente mais injusto do mundo. Para isso, os governos progressistas latino-americanos colocaram em prática políticas sociais criativas, que distribuíram renda, estenderam o mercado interno de consumo popular, integraram milhões de pessoas ao consumo básico e aos direitos elementares de cidadania, elevaram regularmente o poder aquisitivo dos salários e os empregos formais.

Por outro lado, foram sendo criados na região espaços de integração regional – Mercosul, Unasul, Banco do Sul, Conselho Sulamericano de Defesa, Corporação Andina de Fomento, entre outros, conformando o único espaço de integração autônomo em relação aos Estados Unidos. Foram priorizadas as alianças intraregionais e com o Sul do mundo, o que foi gerando um novo mapa político mundial e um mundo multipolar do ponto de vista econômico. A crise em que se encontra o capitalismo internacional desde 2008 revelou, com mais força, as vantagens desse tipo de inserção internacional: nossos países entraram mais tarde e saíram mais cedo do primeiro ciclo da crise e se defendem hoje muito melhor do que os do centro do sistema.

Os governos progressistas fizeram da América Latina a região mais avançada do mundo na luta contra o neoliberalismo. A única que combate sistematicamente as desigualdades sociais, que propõe formas inovadoras de políticas sociais, de reforma do Estado, de integração regional e de inserção internacional soberana. E esta tem tudo para ser a segunda década seguida da América Latina.

SUGESTOES DE LEITURA

- Filosofia da práxis

Adolfo Sanchez Vasquez

Editora Expressao Popular

- De Gramsci a Rousseau

Carlos Nelson Coutinho

Boitempo Editorial

- História da nação latino-americana

Jorge Abelardo Ramos

Editora Insular

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A ARTE DE DESAPRENDER


Frei Betto


Apresentou-se à porta do convento um médico interessado em tornar-se frade. O prior encarregou o mestre de noviços de atendê-lo.

― Caro doutor – disse o mestre – o prior envia-lhe esta lista de perguntas. Pede que tenha a bondade de respondê-las de acordo com os seus doutos conhecimentos.

O jovem médico, acomodado no parlatório, tratou de preencher o questionário. Em menos de uma hora devolveu-o ao mestre. Este levou o papel ao prior e retornou quinze minutos depois:

― O prior reconhece que o senhor demonstra grande conhecimento e erudição. Suas respostas são brilhantes. Por isso pede que retorne ao convento dentro de um ano.

O médico estampou uma expressão de desapontamento:

― Ora, se respondi corretamente todas as questões – objetou – por que retornar dentro de um ano? E se eu tivesse dado respostas equivocadas, o que teria sucedido?

― O senhor teria sido aceito imediatamente e, na próxima semana, já estaria entre os noviços.

― Então, por que devo retornar em um ano?

― É o prazo que o prior considera adequado para que o senhor possa desaprender conhecimentos inúteis.

― Desaprender? – surpreendeu-se o médico.

― Sim, desaprender. Entrar na vida espiritual é como empreender uma viagem: quanto mais pesada a bagagem, mais lentamente se cobre o percurso. Na sua há demasiadas coisas substantivamente inúteis.

E o doutor partiu sob promessa de retornar dentro de um ano, o que de fato sucedeu.

Assim como há escolas e cursos para aprender, deveria também existir para ensinar a desaprender. Quantas importantes inutilidades valorizamos na vida! Quantos detalhes sugam nossas preciosas energias e consomem vorazmente o nosso tempo! Quantas horas e dias perdemos com ocupações que em nada acrescentam às nossas vidas; pelo contrário, causam-nos enfado e nos sobrecarregam de preocupações.

Precisamos desaprender a considerar os bens da natureza produtos de uso próprio, ainda que o nosso uso perdulário se traduza em falta para muitos. Desaprender a valorizar um modelo de progresso que necessariamente não traz felicidade coletiva e uma economia cuja especulação supera a produção. Desaprender a olhar o mundo a partir do próprio umbigo, como se o diferente merecesse ser encarado com suspeita e preconceito.

O desaprendizado é uma arte para quem se propõe a mudar de vida. Nessa viagem, quanto menos bagagem e mais leveza, sobretudo de espírito, melhor e mais rápido se alcança o destino. Vida afora, carregamos demasiadas cobranças, mágoas, invejas e até ódios, como se toda essa tralha fizesse algum mal a outras pessoas que não a nós mesmos.

O que nos encanta nas crianças com menos de cinco anos é a interrogação incessante, o interesse pela novidade, o espírito despojado. Era isso que sinalizou Jesus quando alertou a Nicodemos ser preciso nascer de novo, sem retornar ao ventre materno, e tornar-se criança para ingressar no Reino de Deus.

O médico candidato a noviço comprovou ser bem informado, mas ignorava a distinção entre cultura e sabedoria. Soube elencar as mais célebres telas da pintura universal, sem no entanto ter noção do que significam e por que o artista fez isto e não aquilo. Conhecia todas as doenças de sua especialidade, sem a devida clareza de como se relacionar com o doente.

A humanidade não terá futuro promissor se não desaprender a promover guerras e a considerar a pobreza mero resultado da incapacidade individual. Urge desaprender a valorizar o supérfluo como necessário e a ostentação como sinal de êxito. Desaprender a perder tempo com o que não tem a menor importância e se dedicar mais nos cuidados do corpo que do espírito.

A vida espiritual é um contínuo desaprender de apegos e ambições, vaidades e presunções. A felicidade só conhece uma morada: o coração humano. Eis aí milhões de viciados em drogas a gritar a plenos pulmões terem plena consciência de que a felicidade resulta de uma experiência interior, de um novo estado de consciência. Como não aprenderam a abraçar a via do absoluto, enveredaram pela do absurdo.

E convém aprender: no amor mais se desaprende do que se aprende.

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

EM 12 DE SETEMBRO DE 1977 FOI ASSASSINADO STEVE BIKO



Steve foi um dos maiores líderes da luta contra o "apartheid". Sindicalista e líder socialista sul-africano ‘Steve’ Biko cujo nome completo é Stephen Bantu Biko (18/12/1946-12/09/1977) foi um grande lutador é dele a célebre frase “Racismo e capitalismo são os dois lados de uma mesma moeda” slogan do Movimento Negro Socialista (MNS).

Em 2011, se vivo fosse ‘Steve’ Biko estaria completando 65 anos de idade e hoje faz 34 anos de seu impiedoso, obscuro e vil assassinato praticado pela repressão do imposto regime de minoria branca sul-africana por meio da Lei Apartheid (1948-1993).

Muita gente por aí utiliza seu nome defendendo o contrário de suas idéias e do combate político, que lhe custou a vida.

Biko nasceu em um vilarejo de população negra, Ginsberg, situado na periferia da cidade King William´s Town, na região leste da África do Sul.

A África do Sul é um rico país do continente africano cujo nome - após o fim da Lei Apartheid - chegou a ser chamado de Azânia, sem que se tornasse oficial.

Por ter nascido em um país de ampla maioria negra, Biko desde criança revelou o chamado espírito rebelde com causa, para depois abraçar uma das mais belas causas: o socialismo. Ainda menino foi expulso da escola, depois foi enviado como interno para um colégio católico na província (cidade) de Natal onde estudou até concluir o Ensino Médio. Em seguida, por causa da Apartheid, Biko matriculou-se na seção para estudantes negros da faculdade de Medicina de Natal.

Logo se engajou em atividades políticas, filiando-se na União Nacional dos Estudantes Sul-Africanos (NUSAS é a sigla em inglês). Nesta entidade Biko ficou pouco tempo, pois, considerava-a um movimento dominado por estudantes mukalas (brancos) embora fossem liberais. Em 1969 ele liderou a fundação da South African Students Organization (SASO): a Organização de Estudantes Sul-Africanos que passou a prestar serviços de assistências médicas e jurídicas gratuitas às comunidades negras. Na revista da SASO Biko utilizou o pseudônimo de Frank Talk (conversa franca) como responsável pela coluna “Escrevo o que eu quero”.

Em 1972, junto com outras lideranças e movimentos, ele participou da fundação da convenção de Povos Negros que reuniu mais 70 associações. Uma delas se tornou emblemática porque, sendo um massivo movimento estudantil, esteve no foco dos episódios mais sangrentos ocorridos durante o Apartheid, que foram os protestos protagonizados por crianças e adolescentes negros que exigiram o Ensino em suas línguas nativas e inglês, recusando-se ao idioma oficial do Apartheid, o africâner. Tais levantes ficaram mundialmente conhecidos, sobretudo os que ocorreram em Soweto. Dados extra-oficiais dão conta da morte de mais 300 menores, entre eles Hector Pieterson, 13 anos de idade.

A foto do menino Pieterson mostrando-o todo ensangüentado nos braços do irmão deu a volta ao mundo, tornando-se um dos símbolos da luta contra a racista Lei Apartheid. Em 1973, por sustentar um regime racista e segregacionista, a Lei Apartheid levou à intensificação da repressão aos opositores, com o governo passando a submeter o povo ao “banimento”, uma tentativa der calar-lhes. Naquele ano, Biko foi proibido de sair de King William´s Town assim como de falar e ou escrever sobre os seus ideais políticos. Para se ter idéia da dureza do “banimento” ele (Biko) não podia se encontrar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Porém, ele desafiou a proibição algumas vezes.

Biko participou de reuniões políticas, inclusive proferindo pronunciamentos, e por isso foi preso e interrogado em numerosas ocasiões, a última em agosto de 1977.

Naquele agosto, já casado e pai de dois meninos, Biko voltava de um comício quando foi preso pela repressão na cidade de Port Elizabeth. Dali em diante o obscurantismo da racista Apartheid e do segregacionista regime se abateram impiedosamente sobre, Steve Biko.

Biko diferentemente do CNA (Congresso Nacional Africano) de Nelson Mandela e do Partido Comunista Sul Africano, era contrário a um governo de união nacional com os partidos burgueses. 20 anos depois (1997) a Comissão da Verdade (sic) e Reconciliação saiu com este cão: “Biko sofreu uma lesão na cabeça durante um interrogatório (tortura), depois disto, ele passou a agir de forma estranha, não cooperando mais. Os médicos que o examinaram (acorrentado, nu e deitado em uma esteira) ignoraram os claros sinais de danos neurológicos”.

Prosseguindo o martírio sofrido por Biko, em 11 de setembro de 1977 ele entrou em estado de semi-consciência, tendo o médico da polícia recomendado que fosse encaminhado para um hospital. A recomendação não foi atendida. Ao contrário, a polícia na prática o transladou 1200 km em uma viagem de 12 horas até a capital sul-africana Pretória, totalmente despido e deitado na parte traseira de um jipe caminhonete Land Rover. Horas depois da chegada, já no dia 12 de setembro, ainda nu e solitário em uma cela, Biko faleceu, por evidente dano cerebral. Seu assassinato foi condenado internacionalmente, sua saga entrou definitivamente para a história.

O governo sul-africano respondeu repressivamente sobre organizações e até sobre pessoas como o jornalista e amigo de Biko, Donald Woods, idealizador do filme inspirado na vida de Biko “Cry Freedom (Grito de Liberdade)” do diretor inglês Richard Attemborough. O intrépido jornalista arriscou a vida ante a Apartheid, disfarçado de sacerdote conseguiu fugir para Londres de onde passou a fazer um alerta mundial sobre o caso Biko e a combater aquela Lei racista e segregacionista, uma lei sustentadora do autoritário (na prática, de estilo nazi-fascista) regime capitalista sul-africano de minoria branca.

Pressionado, o governo sul-africano inicialmente alegou que Biko morrera em decorrência de greve de fome. Mas, um corajoso juiz sentenciou que a morte de Biko foi causada pelos severos danos cerebrais sofridos em um confronto com a polícia.

Assim, 20 anos depois do assassinato de Biko, em 1997, quando o anistiado Nelson Mandela assumiu o poder, é que vários policiais decidiram abrir a boca, requerendo também anistia à apelidada Comissão da Verdade e Reconciliação. Esta acabou reconhecendo que a morte sob detenção de Biko constituiu-se em “uma flagrante violação dos direitos humanos”. Por consequência, negando anistia aos policiais envolvidos.

Duas músicas intituladas “Biko” o homenageiam. Uma na voz do inglês Peter Gabriel e a outra na voz da estadunidense Joan Baez. Por fim, esta outra frase lapidar de Biko: “Se somos livres no coração, não haverá correntes feitas pelo homem com força suficiente para sujeitar-nos. Mas, se a mente do oprimido é manipulada (...) até o ponto dele se considerar inferior, não será capaz de fazer nada para enfrentar o seu opressor”.

Fica nestas poucas palavras nossa homenagem a Stephen Bantu Biko, estupenda figura entre os grandes lutadores deste mundo, por liberdade, por igualdade, um dos homens imprescindíveis, como diz o poema de Bertold Brecht.

Biko Presente!


Almir Silva é militante e membro da Coordenação do MNS- Rio de Janeiro
José Carlos Miranda é membro do Diretório do PT de Caieiras e da Coordenação Nacional do MNS- São Paulo

sábado, 17 de setembro de 2011

A mulher mais bonita do mundo é uma AFRICANA


Enviado por Frei Davi


Miss Angola, Leila Lopes ganhou o Miss Universo 2011, realizado no BRASIL em São Paulo! A ucraniana Olesia Stefanko ficou em segundo e a brasileira Priscila Machado, em terceiro.

Acreditamos que foi feito justiça!
Ela ganhou a simpatia da maioria deste os primeiros momentos!
Parabéns povo negro do mundo!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cultura Árabe, Islamismo e Estado Palestino


Temos a honra de convidar a todos, para assistirem a Palestra que será realizada no próximo sábado na Cia. Bella de Artes.Lembramos que no dia 20.09.2011, haverá um acontecimento histórico: a Assembléia Geral da ONU, votará para a aprovação do ESTADO PALESTINO.Aqui em Poços de Caldas e em muitas cidades do mundo, estão sendo organizados atos públicos a favor da Palestina.

PALESTRA: Cultura Árabe, Islamismo e ESTADO DA PALESTINA
Dia: 17/set (sábado)
Horário: 16:00 h
Local: Cia Bella de Artes (ed. Manhatan-centro)

Atenciosamente,

Nizar El-Khatib
Comunidade Árabe de Poços de Caldas

domingo, 11 de setembro de 2011

Nosso 11 de setembro é de Allende

"Eles têm a força, poderão nos avassalar, porém, não se detêm os progressos sociais nem com o crime, nem com a força... A história é nossa e a fazem os povos! Sigam sabendo vocês que muito mais cedo do que tarde de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passe o homem livre para construir uma sociedade melhor!" (Allende)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

GREVE EM MINAS GERIAS


Manifestação e passeata dos Trabalhadores em Educação/Rede Estadual
Data: 03/09/2011 sábado Horário: 09:30min
Local de Concentração: Rua próxima ao campo Yuracan
Participe!
Unidos somos muito mais fortes. Filie-se ao Sind-UTE."Um mais um é sempre mais que dois..... Beto Guedes Um grande abraço sindical.
Prof. Gama - geogama@yahoo.com.br